Divas no Divã

 

Ontem uma amiga me emprestou um vídeo: Divas no Divã. Ela disse: muito engraçado e fala da auto-estima da mulher. Adoro comédia, embora elas tenham que ser muito boas para me fazerem rir nos primeiros quinze minutos, senão minha paciência já foi, desligo e pronto, já sai o veredito: Detestei!!! rsrsrsr 
Bem, então fui assistir Divas no Divã e recomendo pra todo mundo, pois eu ri de doer a boca. Sério!!!As crianças aqui em casa também adoraram. Dá pra assistir com as crianças porque é sem palavrões ou apelativos ridículos. É divertido mesmo! O vídeo é a peça de teatro da Chris Linnares. Procurando pelo assunto achei no Youtube a peça toda que assisti em vídeo. Vou postar aqui a primeira parte, se você gostar como eu, vá lá e assista o resto. Na minha opinião você só vai ganhar! Além de tudo, o humor da peça te faz refletir sobre vários aspectos do universo feminino. Atitudes em geral que nós, mulheres, com certeza muitas vezes já fizemos. E uma frase que me marcou na peça (e vc só vai entendê-la direito quando terminar a peça se assistir toda): 
" Eu te reprovei uma vez, mas nunca pensei que

esses anos todos VOCÊ tivesse se reprovado"
E você? Tem se reprovado muito ultimamente? Pense nisso! Beijos!


Olha o vídeo aí...






Pra Falar de Amor

Eu te chamei aqui porque queria te falar sobre grandeza. Mesmo mal te conhecendo, sofria de uma urgência de falar sobre o quanto eu aprendi nesses anos, o tanto que eu carreguei de bagagem, como alguém que volta de uma viagem cansada, mas ainda tem força pra mostrar as fotos. Eu te chamei, disfarçando essa inocência com algum conhecimento adquirido ao longo do tempo. E ostentando um resquício de orgulho,exibi meus valores, princípios e tudo aquilo que me fazia pensar ser uma mulher muito vivida.

E você respondeu com silêncio. Um silêncio de alguém que escuta, atento, a uma informação que na verdade poderia continuar não dita, mas sabe-se lá o por quê, naquele dia era algo que te importava. Dedicado em interpretar cada palavra, gesto e tom de voz, você me deixou falar. Quando ninguém mais no mundo me ouvia.



Eu te puxei pra cá porque queria falar de tristeza. Como uma criança que acabou de cair da bicicleta, eu vim correndo te mostrar o machucado. Exposto, ardendo, fazendo companhia a uma porção de cicatrizes. E, mesmo sabendo que ele, assim como todos os outros, iria fechar com o tempo, eu quis que você olhasse. Eu contei minha novela triste, aumentei o teor do drama. Me fiz vítima, entregue, cansada.

E você, outra vez, respondeu com silêncio. Esse silêncio confortável, um que existe enquanto a minha cabeça encosta no seu ombro. Um silêncio que cuida, faz o tempo passar, diz mais do que qualquer conversa de regeneração. Preocupado em fazer o resto do caminho valer à pena, você colocou um abraço ao meu redor, e eu voltei a pedalar em segurança. Quando já achava que nem tinha porquê seguir.



Eu te fiz ficar porque queria falar sobre alegria. Queria te contar do quanto ainda me admirava descobrir algo tão doce, quando todos os doces já me pareciam amargos. Eu quis te falar do sol que eu vejo mesmo quando fica nublado, do tanto que o meu peito se aquece mesmo nesses dias de inverno. Quis avisar do quanto o tempo me surpreende, de como o contraste da vida aumentou, do quanto cinco dedos entrelaçados aos meus fizeram tudo ser possível.

Você me abraçou e me fez dançar no quarto. Riu dos meus defeitos e me comprou um guarda-chuva novo. Me acordou com café da manhã na varanda e descobriu a melhor maneira de abraçar alguém enquanto dorme. Extrapolou a minha probabilidade de sorrisos e preencheu o predicado de tudo em que hoje eu sou sujeito. Inspirou, acolheu, fez melhor e falou o que sempre precisei ouvir. Uma resposta sincera, completa, inédita.



E aí fui eu que calei.

Porque quando não sou eu que falo, quando o meu coração palpita e eu calo, é você que fala em mim. E quando a gente fala junto, quem se cala é o próprio mundo, pra ouvir falar de um amor sem fim. 


* Já viram que virei fã né? Cada palavra parece que fala de um mundo que vivo ou que  também vivi.

A Inveja










De todos os personagens mitológicos criados, existe um que realmente me intriga: a inveja. Dona inveja, até onde se sabe, percorre mundos e fundos com uma única missão: fazer mais e mais pessoas acreditarem na vil teoria de que ela tem o poder. E que poder! Com um leve toque da danada, o pobre contaminado já vira uma sanguessuga de primeira, saindo por aí tal qual um vampiro em busca de pescoço.



Podemos dizer que sua viagem missionária começou há muito tempo atrás, mais precisamente quando o tal do Poder começou a dar as caras. Pois bem, desde então, inveja e poder não se suportam, não é segredo pra ninguém. São bastante típicas essas guerrinhas mitológicas, mas mais comum do que elas é o seu resultado: os mortais é que sempre acabam pagando o pato.



E cá estamos nós, essa gentarada transitando por aí em posições desiguais. Uns com tantos, outros com poucos, enfim, o cenário perfeito para a nossa vilã agir. Porém, ciente de seu poder degradante (e da de nossa incapacidade de distingui-la da pura e simples admiração) a população iluminada resolveu fazer justiça com as próprias mãos: criou um contra-ataque para a pobrezinha. E tudo seria um triunfo se as armas não fossem assim tão...confusas. Pé de pimenta, amuleto de figa, olhinho grego, galho de arruda... Comé que é mesmo?



Aí vieram esses dias me oferecer o "colar do mau olhado" e quem olhou torto fui eu. Ok, tenho lá minhas superstições básicas, mas não consigo entender a vantagem de se andar com uma salada no pescoço. Já é absurdo pensar que eu perderia alguma conquista minha só porque “fulana não gostou”, mas mais absurdo ainda é pensar que uma pobre pimenta barraria o problema. Engraçadas também são as pessoas que jurampordeus (e adoram!) serem invejadas. Ué, penduricalhos no pescoço pra quê então?



É por isso que pra mim a inveja é quase um mito. Uma amiga imaginária, que só aparece pra quem quiser ver. Apesar de reconhecida como pecado capital, se você realmente não der bola, ela não faz nada. Nem a minha fama e quem dirá o meu Ibope. É só um termostato bobo que me avisa sempre que o melhor é me garantir sozinha. Porque uma coisa é acreditar no amuleto, outra bem diferente é botar fé em você mesma.





Autoria: Milena Gouvêa







* Assino embaixo. Tema sempre atual e verdadeiro. no universo feminino (no masculino também, mas eles não dão tanta bola pra isso)